Kwaku Ananse Kintê (Rio de Janeiro, Brasil) é artista visual autodidata. Nascido e criado no Morro do Turano (RJ), atualmente vive e trabalha na Baixada Fluminense.
Sua prática artística se desenvolve principalmente por meio da pintura, investigando memória, ancestralidade, colonialidade e as permanências da diáspora africana na formação cultural brasileira.
Sua produção articula retrato, figuração, símbolos afro-diaspóricos e elementos arquitetônicos coloniais, especialmente a azulejaria imperial, utilizada como dispositivo visual e conceitual para tensionar narrativas de poder, apagamento e resistência.
Em seu trabalho, a pintura funciona como campo de disputa entre memória oficial e memória ancestral, propondo reconfigurações da visualidade histórica brasileira a partir de perspectivas negras.
Foi aluno bolsista da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no curso “Questões Prático-Teóricas da Pintura na Contemporaneidade”, sob orientação de Bruno Miguel e Luiz Ernesto. Ao longo de sua trajetória, vem consolidando uma pesquisa autoral que cruza arte contemporânea, cosmologias africanas e crítica decolonial.
Meu trabalho investiga os atravessamentos entre memória, ancestralidade negra e os mecanismos visuais de construção da história no Brasil.
A partir da pintura, elaboro imagens que tensionam presença e apagamento, visibilidade e silenciamento, buscando compreender como determinados corpos e narrativas foram sistematicamente deslocados dos registros oficiais.
Grande parte da minha pesquisa parte da azulejaria colonial como elemento simbólico e estrutural.Historicamente associada à arquitetura imperial e à construção de uma visualidade de poder, a azulejaria aparece em meu trabalho como linguagem de fricção: ao inserir corpos negros nesse campo imagético, proponho uma reconfiguração da memória visual brasileira.
Minha produção se desenvolve na interseção entre tradição pictórica, imaginário afro-diaspórico e crítica histórica.
Utilizo símbolos, padrões e elementos oriundos de cosmologias africanas e afro-brasileiras para construir imagens que não se limitam à representação figurativa, mas operam como arquivos afetivos, políticos e espirituais.
Mais do que revisitar o passado, meu trabalho busca ativar outras possibilidades de leitura do presente, propondo imagens que confrontam as continuidades da colonialidade e afirmam novas centralidades negras dentro da arte contemporânea
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